M&A no Brasil em 2026: menos negócios, negócios maiores

Em 2025 escrevi sobre as tendências de M&A em tecnologia olhando para os relatórios globais. Agora vale olhar para casa: o que os números de 2026 dizem sobre o mercado brasileiro?

Resumo do que achei mais estratégico, com um olhar para quem está em campo, comprando ou vendendo:

  1. Menos negócios, mais valor. No primeiro semestre de 2026, a KPMG contou 610 transações no Brasil, 35% a menos que no mesmo período de 2025. Mas o valor subiu 22,3%, para cerca de R$ 195 bilhões. Até agosto, o levantamento da TTR Data aponta 834 operações (queda de 31%) e R$ 210,7 bilhões movimentados (alta de 11%).
  2. Os megadeals mandam. Mais de 85% do valor do semestre veio de operações acima de R$ 1 bilhão. Os negócios do dia a dia seguem acontecendo, mas o dinheiro grande está concentrado em poucos.
  3. Capital estrangeiro está de volta. As operações transfronteiriças caíram em número (191, queda de 18%), mas o valor deu um salto: cerca de R$ 102 bilhões, alta de 153%. Os Estados Unidos continuam liderando entre os compradores estrangeiros, com 87 aquisições, ainda que 23% menos que no ano anterior.
  4. Tecnologia segue puxando o volume. No acumulado até agosto, Internet, Software e Serviços de TI lideraram em número de transações (140), à frente de Imóveis (131).
  5. O venture capital encolheu; os estratégicos mandam. Foram 134 rodadas de venture capital, 46% menos que no ano anterior. Já os investidores estratégicos fizeram 31% menos negócios, mas com valor 20,6% maior (cerca de R$ 159 bilhões). Os fundos de PE e VC, juntos, somaram cerca de R$ 36,7 bilhões, alta de 30,5% mesmo com menos operações (KPMG).
  6. Escala e qualidade viram filtro. O mercado está mais seletivo: investidores buscam empresas com escala, ativos de qualidade e governança. Interesse forte em mineração, infraestrutura, energia e em operações ligadas a tecnologia e IA em áreas como serviços financeiros e saúde.
  7. Carve-outs no radar. A KPMG espera, para o segundo semestre, mais venda de ativos não estratégicos por grandes grupos, o que abre portas para compradores de médio porte.

O que isso diz para quem tem uma empresa pequena ou média?

Num mercado seletivo, quem chega arrumado se destaca. Mesmo que você não pense em vender, prepare-se como se fosse: controles, governança, segurança da informação, contratos em dia e um negócio que funcione sem depender só do dono. Isso deixa a empresa mais valiosa e mais segura, hoje e amanhã.

E, em qualquer movimento de compra ou venda, vale ter alguém de fora olhando o negócio inteiro: quem conhece o jogo e as pessoas do ecossistema.

Fontes: KPMG, Pesquisa Trimestral de M&A, 2º trimestre de 2026 e TTR Data, divulgado pela InfoMoney em 8 de setembro de 2026 (via TradeMap).

Sua empresa estaria pronta para uma due diligence amanhã?

Tem uma decisão que anda pesando por aí? Às vezes o que falta não é resposta, é uma boa conversa com alguém de fora. Se fizer sentido, vamos conversar. Sem roteiro pronto e sem compromisso.

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