Clique. Clique. Touch. Touch. Rápido, vamos. Cafezinho. Lanche. Alô? Tenho uns minutinhos, só se for rápido. Like. Kkkkk. Like. Comentar. Touch.
Anos atrás, num metrô quase lotado em São Paulo, sentei ao lado de um senhor de 60 e poucos. Olhei em volta: olhares distantes, cabeças baixas, dedos no vidro.
Sorri para ele e disse: “Tão perto e tão longe”.
— Como?
— Estamos todos aqui tão próximos fisicamente, e ao mesmo tempo tão distantes.
Conversamos por alguns minutos. Ele me contou um pouco da vida dele; eu, da minha. Saímos dali com a sensação de que existe algo mais.
Não sou contra tecnologia. Eu trabalho com isso, uso todo dia. Hoje uso inteligência artificial para escrever mais rápido e pensar melhor. Mas a questão nunca foi o aparelho. São os valores que a gente desenvolve quando troca o olho no olho pela comodidade.
Quando a gente espera o post para “curtir” em vez de escutar a voz do amigo falando do jeito único dele. Quando os dois olham para a tela e param de olhar um para o outro.
E agora tem uma camada nova: respostas prontas em segundos, para qualquer pergunta. O risco é achar que uma resposta rápida substitui uma conversa funda.
Para quem lidera uma empresa, isso pesa. Decisão importante, feedback difícil, negociação com sócio: nada disso se resolve com um prompt.
Não precisa largar tudo e sair abraçando gente (embora seja ótimo). Comece por:
- trocar uma reunião de status por uma conversa de verdade;
- escutar o outro até o fim, sem a mão no celular;
- ler algo mais longo que um feed;
- usar a tecnologia para aprofundar, não para raspar a superfície.
As respostas para as questões complexas só aparecem quando a gente reconhece a complexidade e dedica tempo e energia à troca com outras pessoas.
Que você tenha muitas trocas profundas por aí.
Você diz o que precisa dizer do jeito que precisa ser ouvido? Se este texto cutucou alguma coisa, vale uma conversa. Veja como funcionam os encontros de Comunicação Executiva ou escreva para mim.