“Tá, e aí?” — quando o que você diz fica complicado demais

Tenho um amigo que chamo de Taiaý. O nome nasceu de uma frase dele.

Conversávamos sobre tudo. Começava simples, ia aprofundando. Até que, em algum ponto, o assunto ficava complexo e eu começava a me enrolar. Aí ele parava, levantava as sobrancelhas e perguntava:

— Tá, e aí?

Eu explicava de novo, com analogia, com exemplo. Ele repetia:

— Tá, e aí?

Eu falava mais. Mais alto. Já meio irritado por ele “não entender”.

Lá pelo quinto “Tá, e aí?!” eu parei:

— Tá me tirando, né?

— Claro. Quando está muito difícil de entender, a pergunta é se aquilo chega a algum ponto útil. Ou se é um devaneio de quem quer se sentir valorizado porque a construção mental parece sofisticada.

Senti raiva na hora. E ele apontou justamente isso: a raiva mostrava o quanto eu estava apegado ao meu modo de pensar. Ele tinha desafiado o modelo, não a mim.

Agora traga isso para a sala de reunião, para a apresentação, para a conversa com o cliente.

Quantas vezes você explicou mais, com mais slides, mais dados, mais palavras… e o outro só queria saber: e aí? O que eu faço com isso?

Comunicar bem não é provar que você é inteligente. É fazer o outro chegar a um ponto útil.

Um teste simples antes da próxima reunião: complete a frase em voz alta, em 20 segundos.

“O que eu preciso que você decida/entenda/faça é ___, porque ___.”

Se não sai, o problema ainda não é de comunicação. É de clareza. E clareza se treina.

Qual é o seu “Tá, e aí?” favorito, aquele que você poderia ter ouvido antes de uma reunião longa?

Você diz o que precisa dizer do jeito que precisa ser ouvido? Se este texto cutucou alguma coisa, vale uma conversa. Veja como funcionam os encontros de Comunicação Executiva ou escreva para mim.

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