Depois de um projeto de vários meses, peguei carona com uma empresária para voltar para casa. Ela contava, sorrindo, tudo o que estava mudando na empresa. Para melhor.
Fiz a pergunta de sempre:
— Me conta: o que você achou mais importante desse trabalho?
— Eu VOLTEI A GOSTAR DO QUE FAÇO. Eu amo empreender, mas estava desanimada. Quase vendendo a empresa. Vocês me devolveram a vontade de acordar e ir para lá.
Fiquei com o coração cheio. E com uma lição na cabeça: o projeto não era sobre mindset, nem sobre gestão da mudança. Era sobre marketing estratégico.
Só que como mudar a estratégia sem mudar o jeito como a gente enxerga o negócio? Como mudar o entorno sem mudar a si mesmo?
Uma mulher muito sábia me disse uma vez:
— Só tem um jeito de mudar. Mudando.
Parece óbvio. Não é.
Há uma ideia que me acompanha desde que li Frederic Laloux, em Reinventando as Organizações: temos mais de um “cérebro” (o da cabeça, o do coração e o do intestino, cada um com seus neurônios), e a ciência levou décadas para voltar a olhar para isso. Ele sugere que a gente demorou a enxergar porque o nosso jeito de pensar organizações era hierárquico: um chefe, um cérebro.
Leve isso para a empresa. Muito líder se vê como o único cérebro que coordena tudo. É caro. É cansativo. E desperdiça o que o resto do time sabe fazer melhor.
O convite:
- deixe quem está mais bem adaptado fazer cada tarefa;
- mantenha o diálogo para entender o que realmente precisa ser feito;
- compartilhe recursos e benefícios;
- e deixe as pessoas mais responsáveis e confiantes do que lhes cabe.
Chama-se inteligência distribuída. Comece hoje, pequeno.
E se for difícil fazer sozinho, converse com alguém de fora que acompanhe o processo.
Onde, na sua empresa, ainda existe “um cérebro só”?
Tem uma decisão que anda pesando por aí? Às vezes o que falta não é resposta, é uma boa conversa com alguém de fora. Se fizer sentido, vamos conversar. Sem roteiro pronto e sem compromisso.